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Um Amor Supremo (A Love Supreme)

***Este artigo foi traduzido de inglês a português para o Occupied Wall Street Journal ***

“O Profundo Despertar Democrático”

                                                                                                                         por Cornell West
 
Nós o povo do movimento mundial Occupy encarnamos  e promulgamos  um profundo despertar democrático com alegria genuína e determinação feroz. Nosso movimento – sem liderança e cheio de liderança – é uma expressão comovente do ultraje moral da feia ganância corporativa que empurra  nossa sociedade e nosso mundo para a beira da catástrofe. Estamos conscientes de que nossas ações inauguraram a iluminação radical desse momento de desconfiança e desgosto incontestáveis, em que economias oligárquicas, políticos corruptos, uso arbitrário das regras da lei, e mídia corporativa  armada para distrair as massas. Temos a intenção de manter a nosso impulso, alimentando nossos laços de confiança, fortalecendo nossos corpos, corações e mentes e ficando juntos, como dizem em inglês, pelo inferno ou pela água alta, a fim de criar um mundo melhor através de uma profunda revolução democrática.

Nós nos recusamos a ser meros ecos das mentiras viciosas que apoiam um status quo ilegítimo. Nosso profundo despertar democrático toma a forma de nós pessoas comuns levantarmos nossas vozes individuais e coletivas para dizer as verdades dolorosas sobre os sistemas injustos e as estruturas injustas que geram miséria social desnecessária. Os últimos trinta anos de um “de cima para baixo”,  guerra unilateral de classes às pessoas preciosas, pobres e da classe trabalhadora – com a maior transferência de riqueza de baixo para cima na história humana – nos ensinaram que ou lutamos juntos, em nome da verdade e da justiça, ou perdemos o nossos sustento e honra sagrada. Neste sentido, o movimento já está vitorioso: nossa organização e mobilização mudaram os discursos públicos na direção da verdade e da justiça – apontando o foco para a ganância corporativa, a desigualdade na riqueza, a pobreza crescente, níveis obscenos de desemprego, o papel dos grandes dinheiros na política, e poder abusivo das forças do militar e da polícia. Mas ainda temos trabalho pela frente.

A bancarrota em larga escala da ordem neoliberal – de mercados desregulamentados, oligarcas irresponsáveis, políticos subornados – é agora um fato estabelecido de vida e história. Essa idade está chegando ao fim. Nosso profundo esclarecimento democrático tem que romper os limites de nossas estreitas estruturas intelectuais e nosso habitus cultural paroquial para abrirmos as portas. Como os inventores do jazz, devemos ter a mente aberta, flexível, fluida, inclusiva, transparente, corajosa, autocrítica, compassiva e visionária. Devemos reformular velhas noções de império, classe, raça, sexo, religião, orientação sexual e da natureza em novas formas de pensar e ser. Nosso movimento é uma forma de incubação preciosa, sublime, desarrumada e funky. Novamente, como jazz, devemos incorporar e promulgar um abraço amoroso da arte de nossas colaborações criativas. Devemos incorporar um abraço universal de todos na família humana, e seres conscientes, e consolidar uma fortaleza invencível em face dos sistemas de opressão e estruturas de dominação. Nós vamos sofrer, tremer e lutar juntos com sorrisos em nossos rostos e um amor supremo em nossas almas. Assim como a justiça é a expressão pública do amor, e ternura é o que sentimos na privacidade do amor, uma revolução democrática profunda é a visão da prática da justiça.

A revolução pode assustar algumas pessoas por sua conotação de violência. E isso é compreensível à luz de muitas revoluções passadas, como as revoluções americanas contra a monarquia em 1776 ou contra a escravidão em 1861. Mas a revolução de nosso tempo – contra a oligarquia e a plutocracia – não precisa ser feia e violenta. A herança rica de Martin Luther King e Nelson Mandela, e revoluções recentes na Tunísia e no Egito, nos ensinaram que podemos lidar com nossas catástrofes sociais com compaixão social e que podemos transformar sociedades injustas, com visões corajosas e estratégias não violentas. Se nos equiparmos com a análise sistêmica verdadeiras do poder em nossas mentes, compromissos morais de aço em nossas costas, e uma alegria genuína para servir aos outros em nossos corações, então o nosso sonho de uma justiça nascente espalhada pelo mundo afora pode não ser mera ilusão.

Somos prisioneiros de uma esperança manchada de sangue e encharcada de lágrimas. Isto significa que somos livres para imaginar e criar um mundo mais profundamente democrático do que ainda temos presenciado na história.


por DR. CORNEL WEST November 18, 2011 / Occupied Wall Street Journal 

Este post também está disponível em: InglêsEspanhol

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This entry was posted on December 22, 2011 by in Uncategorized and tagged , , , , , , , , .
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